Criar comunidades online – O que nunca ninguém te disse
Uma das áreas que mais me fascina na web, é sem dúvida a criação de comunidades online. Criar uma comunidade pode ser muito mais compensador a nível pessoal e também profissional, do que qualquer tipo de rendimentos que possamos ter com outro tipo de site. Criar uma comunidade é um investimento a longo prazo, que requer muito trabalho, dedicação e investimento pessoal.
Com a quantidade de software gratuito e de grande qualidade que existe hoje-em-dia, começar uma comunidade sobre um tema do nosso interesse, é fácil, se calhar até fácil de mais, pois vejamos. Registar um domínio é simples, custa à volta de 8€, nada de especial. Comprar alojamento na web, é como ir comprar um pacote de leite, se calhar até mais fácil. Instalar o software, demora 2 minutos se o vosso host tiver o installatron, ou o fantastico. Enfim, simples, fácil e barato.
Podem-me dizer que “isso demora tempo e dá trabalho”. Sim, concordo plenamente. Para ser um projecto sério, muito mais será preciso fazer. Escolher o nome, pensar no branding, alterar o software ou fazer algo de raiz para preencher as nossas necessidades. Construir uma estratégia de marketing, começar a divulgar, etc. Mas serão estes pormenores a principal dificuldade?! Não, estão longe de o ser. No meio de tudo o que é necessário para construir uma comunidade, falta sempre o mais importante. A comunidade!
Como construir uma comunidade sem a comunidade
Vamos então lançar o projecto. Neste momento, somos as pessoas mais espertas e inteligentes do mundo. Já lemos dezenas de artigos em blogs, a ensinarem-nos tudo sobre os segredos da divulgação e criação de projectos online. Dizem-nos para fazer mil e uma estratégias que seguramente nos trarão seguidores fiéis, não se sintam mal por isso, a banha de cobra é talvez o produto mais vendido do mundo. Estratégias essas, como por exemplo, já sabemos tudo, sobre a criação de passatempos, e oferta de prémios, temos até já 30 ideias diferentes para o fazer. Pobres coitados. Depois de 3 ou 4 passatempos e prémios oferecidos, dezenas de vantagens e recursos úteis, as pessoas simplesmente não se interessam e dificilmente voltam ao nosso site. Apercebes-te então, que estás a “comprar a comunidade”, e vez que estás a cometer um erro. Tu queres uma verdadeira comunidade, pessoas que realmente se interessem e tragam valor, e não uma comunidade comprada. Aqui estás a cometer o primeiro erro e aprendes a tua primeira lição, o maior segredo para criar uma comunidade está no “engagement”. Não tentes comprar as pessoas, poderá funcionar nas primeiras semanas, mas a longo prazo é um erro. Algo que se aprende com a experiência, mas já vamos abordar o “engagement” mais à frente.
Num primeiro momento, quando finalmente lançam o vosso novo projecto, estão a fazer tudo o que está ao vosso alcance para atrair visitas. Eu sei que não é como se estivem parados, apenas à espera que as pessoas cheguem e fiquem espantadas com o vosso novo site. Estão a divulgar o projecto aos vossos amigos, familiares, colegas, e mesmo assim as pessoas não se interessam. Criaram uma página no facebook, fizeram uma conta no twitter, exclusivamente para o vosso novo site. Divulgaram… divulgaram… twitaram… twitaram… seguiram e seguiram pessoas. Mesmo assim as pessoas não se demonstram interessadas.
Partem para uma nova estratégia, começam a gastar dinheiro na divulgação. Compram banners, artigos noutros blogs, até fizeram uma campanha no adwords, com as keywords perfeitas para atrair visitantes. Coitados de vocês, os iludidos. As pessoas continuam a não se interessar pelo vosso projecto.
1. A frustração
É fácil ficar desapontado no início, aliás, é aqui que 99% das pessoas comete o segundo erro. A desistência! Não ter sucesso num projecto na web, depois da falta de qualidade, a desistência é provavelmente o termo que mais está associado ao falhanço. Há uma frase muito usada neste meio – “People never fail at web marketing – they just quit before success happens”. E tem a sua razão de ser, que já vamos abordar mais à frente.
Nesta fase, é fácil ficar frustrado.
“Será que as pessoas nos estão a tentar dizer qualquer coisa?”
“Será o nosso projecto assim tão inferior?”
Assumes simplesmente que “as pessoas não estão interessadas, elas não querem saber…!” As pessoas têm vida para além da web (pelo facebook, já não meto as mãos no fogo), e mesmo que percam tempo com o nosso tema, fazem-no em sites já estabelecidos e com maior tráfego que o teu. “Então porque me vou preocupar com isto?! Porque estou a perder tempo a oferecer às pessoas recursos úteis para a sua área de interesse, se elas simplesmente não estão a tirar proveito do que estou a construir!”.
Por outras palavras. Neste momento já fizeste tudo o que estava ao teu alcance para construir uma comunidade, mas a comunidade simplesmente não aparece. É neste momento que temos de nos lembrar das coisas que realmente são importantes quando queremos construir uma comunidade.
2. Keep Your Feet on the Ground and Your Eyes on the Heavens
Mantém os teus pés na terra e os teus olhos nos céus. Adoro esta frase, acho que representa totalmente o conceito (aka KYFGYEH) do que é construir um projecto na web. Se queremos construir uma comunidade, temos de ter em mente que as pessoas não aparecem do dia para a noite. Construir uma comunidade, pode levar semanas, meses ou vários anos, vais dar muitas cabeçadas na parede, vais cometer muitos erros, não desesperes, faz parte do processo. Mesmo que tenhas feito o possível para sobressair da multidão (andar vestido de pinguim na rua, poderá ser uma boa ideia), para dar nas visitas, para te distanciares da concorrência. Tem em mente uma coisa, a web é enorme, a maioria das pessoas são autenticas tartarugas a descobrir sites de qualidade da sua área de interesse na web. Então para começarem a participar, não são tartarugas, são fosseis! (Por falar nisso, estás à espera de quê, para começar a participar no +tráfego?!) A maioria das pessoas que chega ao teu site, vai ler os pequenos conteúdos que lá tens, e apenas uma pequena percentagem se vai realmente registar, umas vão demorar mais que outras a fazê-lo e algumas nunca chegarão a isso. Dessas pessoas que se vão registar, algumas vão contribuir, outras nunca vão chegar a “vias de facto”!
Existe um fenómeno que é deveras interessante para mim, que sou um curioso destas áreas. Que é o que costumo chamar de “SLA”, “Sou leitor assíduo mas só agora decidi começar a participar”. Quantas vezes não lemos isto nas apresentações dos fóruns, ou nos comentários de um blog, por exemplo.
3. The Engagement – A Relação
“The Egagement”, para mim um dos termos chave a ter em mente na construção de comunidades online. Se o projecto não reflecte o que tu, enquanto administrador, és genuinamente interessado, provavelmente estás condenado ao insucesso. Coitados de vós, os iludidos! Fóruns, blogs, portais temáticos, sites dedicados a nichos específicos, de sucesso, todos têm uma coisa em comum. Reflectem o interesse do criador.
Enquanto criador de um site, o seu conteúdo tem de reflectir o criador. E isso deverá ser o suficiente para gerar interesse e começar o engagement. Tal como na vida fora da web, tu relacionaste com pessoas dos mesmos interesses que tu, na web, não é diferente, nem poderá ser. Se alguém se interessa sobre o que realmente aborda e é o teu site, é ai que a comunidade se começa a construir. À volta dos interesses do criador.
Se a maioria das pessoas não se interessa, “who cares!”. Isso não pode, nem deve afectar o teu interesse pelo projecto. Os novos administradores, devem ter em conta que eles são os primeiros a acreditar no projecto, apesar de todas as dificuldades que possam vir a ter. Não devem existir expectativas sobre se vão encontrar ou não, outras pessoas com o mesmo interesse e com vontade de participar. Isto é o que torna a web numa plataforma espectacular e repleta de oportunidades. Existem dezenas, centenas, milhares de sites para cada assunto que possas imaginar. Se as pessoas estiverem interessadas, mais tarde ou mais cedo, elas acabam por te encontrar. O desinteresse geral que vais encontrar na construção da tua comunidade, nunca deve ser razão para colocar em causa os teus gostos, aquilo que acreditas e queres construir. Caso contrário, coitados de vós, os iludidos. São uns perdedores à partida!
4. The Commitment – O Compromisso
Outro termo importante a ter em conta. O compromisso com o projecto deverá estar sempre presente e em primeiro plano. Uma das coisas é a rentabilização do projecto. Os novos administradores não devem esperar fazer dinheiro com a vossa comunidade. Compreendo que muitas pessoas podem pensar de maneira diferente. Ou pelo menos querem cobrir o investimento inicial que tiveram, mas não existem qualquer tipo de garantias que vão ter um retorno significativo. Mesmo com esta possibilidade em mente, nunca a paixão pelo vosso projecto deve ser posta em causa em troca de alguns cêntimos. Qualquer projecto de sucesso reflecte a paixão do seu criador pelo projecto. Tempo, paciência e conteúdo de qualidade, vão criar a tua comunidade, o dinheiro não vai. Outro aspecto, é que nunca penses em depender, ou contar com a ajuda de outra pessoa para pagar os custos que o site possa ter. Aceita a responsabilidade que é o teu site, o teu conteúdo, a tua paixão, os teus sacrifícios.
Outro aspecto de extrema importância, é que nunca estarás completamente sozinho até apagares o teu site. A web tem milhões de utilizadores, de certeza que vais encontrar pessoas com os mesmo interesses que tu. Nunca estarás fora do jogo até clicares no delete! Preocupa-te em criar o conteúdo que tu gostas, o teu site sempre representará os teus gostos e interesses ao mundo. Como disse anteriormente, se estiveres completamente dedicado à tua comunidade, outras pessoas poderão estar interessadas em fazer parte. Agora depende de ti vestir a camisola. Se vais estar apenas a “meio-gás” no projecto, não esperes que alguém possa estar a “todo o gás” por ti.
Se quiseres aprender mais sobre construção de comunidades online, visita a nossa secção de discussão. Clica aqui.
Conclusão
Estas são algumas coisas que aprendi com a experiência, espero que possam ser úteis para quem está a começar. Já mandei para o lixo mais sites, do que aqueles que tenho actualmente, já cometi autênticas barbaridades e certamente vou cometer muitas mais. Mas criar uma comunidade na web é talvez das coisas mais gratificantes que pode existir nível pessoal e profissional. Espero que tenham gostado deste artigo, foi dos artigos que talvez mais me deu prazer escrever nos últimos tempos. Conto com o vosso feedback e opiniões na construção de comunidades online.
Mais Tráfego para todos!
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34 Comentários
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Excelente artigo, um daqueles que nos deve fazer pensar. Gostei porque a abordagem é realista e ao mesmo tempo tem palavras de incentivo importantes.
Muito bom o artigo, Nuno.
Nessa década muitos sites de relacionamento fecharam as portas. É intrigante como o Orkut, por exemplo, só funciona no Brasil e na Índia – total fracasso nos EUA e Europa.
Bom salientar que alguns blogs, de tão bons que são, também possam a serem vistos como pontos de encontro e formação de comunidades, onde a troca de informação/experiência é o ponto número 1.
De qualquer forma, parabenizo pelo post! Muito bom.
Parabéns pelo artigo Nuno. Ficamos à espera das outras partes :)
Que artigo do c… !! :O Adorei!
Este comentário já valeu pelas 4h que demorei a escrever o artigo… Obrigado!
Muito bom. Parabéns!
Gostei especialmente de “Aceita a responsabilidade que é o teu site, o teu conteúdo, a tua paixão, os teus sacrifícios.”
Ficamos a aguardar pela segunda parte! ;)
Isto não é apenas um comentário, bom artigo, parabéns etc
Mas digo-te que é talvez o melhor artigo que li nos últimos tempos. Identifico-me contigo quando dizes que deitas-te fora mais sites que tens online neste momento, acho isso fundamental para o sucesso, practice, practice, practice.
Gostei do artigo, sobretudo porque aborda os assuntos de forma directa ao contrário de tantos sites que andam por aí a vender a “banha da cobra” e esquecem-se de mencionar o que é importante e como as coisas realmente funcionam, que contribuem apenas para a ilusão e desilusão de muitos projectos válidos, para não falar na ruína dos projectos já existentes e de relativo sucesso. É o que dá conduzir os “empreendedores” de forma errada, lançando-os aos leões, em troca de alguns tostões fáceis.
Excelente artigo Nuno! Pões os dedos nas feridas ao mesmo tempo que incentivas e motivas. É um artigo de referência!
Bom artigo. A experiência conta, quem é que não teve percurso semelhante? Ilusões de início e desilusão no final. O que mais custa é mesmo encontrar O projecto que nos fará feliz, a todos os níveis, até lá o caminho é de pedra.
Eu simplesmente adorei este artigo! Reforçou ainda mais a minha vontade de não desistir!
Quase que posso dizer:
“Sou leitor assíduo mas só agora decidi começar a participar”
:-D
É dos primeiros posts que li no mais tráfego e vou tentar segui-lo.
Obrigado!
Muito bom, gostei mesmo.
Excelente noticia. O que eu não ri ao ler esta frase: A maioria das pessoas são autenticas tartarugas a descobrir sites de qualidade da sua área de interesse na web.
Muito obrigado por todas estas dicas. Sem dúvida que me vai ajudar.
Muito Bom, e está ai uma frase se também sigo “KEEP YOUR FEET ON THE GROUND AND YOUR EYES ON THE HEAVENS”
Aguardo pelas próximas partes
Keep Your Feet on the Ground and Your Eyes on the Heavens ;)
Sem dúvida um dos melhores textos que li nos últimos tempos. Penso que peca por não explicar que nem todos temos apetência para ser um bom administrador e que há assuntos nos quais o conceito de comunidade não é bom e que deve ser analisada a opção site/portal ou blog.
Espero pela continuação :)
Parabéns pelo bom trabalho.
Grande artigo, Nuno. Mais do que dar-te os parabéns quero agradecer-te. Estou neste momento a delinear um projecto e estas palavras foram bastante inspiradoras.
um abraço.
Comprar alojamento é como comprar um pacote de leite. Boa comparação.
Olá Nuno,
Como me alegro ao ler este artigo. É ver consolidado por escrito algo que nas nossas conversas eu já tinha por certo. Que o que tens conseguido é pelo esforço e dedicação a um projecto que sempre foi mais que por retorno imediato. Foi em prol de algo que te interessa efectivamente.
Também é sinónimo que o teu sucesso neste projecto não é fruto do acaso, não foi por sorte. Foi porque sabes o que fazer para que dê certo. Pelo teu mérito. Teu e dos que acreditaram em ti.
Eu lancei agora dois blogues, cujo intuito é apenas de poder proporcionar valor e informação sobre dois temas que me apaixonam. Com isso, quero dizer que não faço tensões de ter um crescimento muito rápido. Na verdade é quase um repositório para artigos e conteúdos para depois remeter os meus clientes para lá para ficarem mais informados das melhores práticas.
Resumindo, faço por dedicação. Tenho o meu day-job, como sabes que me ocupa muito do meu tempo, mas estes blogues são uma extensão do meu gosto pelos temas.
Com isto, quero dizer que compreendo o teor e a forma como escreveste este artigo. É realista e ajudará com certeza muita gente. Por isso, obrigado e um abraço!
P.S: Temos de combinar um copo um destes dias. Gostaria de saber novidades!