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Freelancer no Feminino – Vantagens e Desvantagens

Para muitos quando ouvem a palavra Freelancer, a primeira imagem que vem à cabeça é um rapaz novo, com o seu penteado fashion, uns belos óculos ao estilo Geek e ainda completando isso com um pijama ou mesmo uma roupa desportiva e prática para passar horas e horas na sua cadeira de trabalho. Mas a realidade é outra e em muitos casos o visual do Freelancer é totalmente o oposto. Contudo, quando se fala do mundo feminino, o Freelancer é levado com muito mais furor e mais atenção. Geralmente as mulheres são muito mais meticulosas e preocupadas com a sua imagem e esta perante os outros. Porém não é apenas no visual que o mundo masculino e feminino são muito diferentes, já que as mulheres ainda não são totalmente aceites como Freelancers e este artigo surge com o principal objectivo de deixar um pouco da minha experiência no mundo Freelancer como mulher.

A forma como são encaradas

Infelizmente quando se fala na junção entre o mundo feminino e o mundo de trabalho há sempre uma desconfiança ou mesmo um certo receio. A situação acaba por piorar no mundo Freelancer, e a justificação até é extremamente simples, já que enquanto se fala num trabalho dito normal há sempre uma supervisão por parte de alguém superior, no entanto no Freelance a pessoa trabalha de forma solitária, logo não está a ser “vigiada” para comprovar o seu trabalho. Mas se pensar bem, nem devia de haver qualquer tipo de receio de trabalhar com mulheres neste campo, já que as mulheres acabam por saber gerir muito bem o seu tempo e organizá-lo de forma a concluir os trabalhos no tempo previsto (não que os homens não o façam, simplesmente as mulheres são muito mais organizadas por natureza). Muitas vezes ouve-se expressões como “gosto dos seus trabalhos mas…”, mas… acabam por decidir trabalhar com outro Freelancer de qualidade igual ou até inferior simplesmente para poder trabalhar com um homem. Se não é pelo receio dos prazos de entrega, é pela qualidade do serviço, ou pelo contacto entre cliente e Freelancer, que nem sempre é fácil.

O contacto Freelancer <-> Cliente

O contacto entre os dois é feito exactamente igual nos dois mundos, ou pelo menos seria assim que deveria ser. Normalmente, quando os negócios são entre homens, a conversa flui, não há receios no tipo de linguagem usada ou por vezes até se inicia uma conversa muito agradável que culmina numa boa amizade. Agora, quando os dois mundos se cruzam, em que como clientes está o sexo masculino, por vezes acaba por haver bastante receio de manter um bom diálogo, roçando o humor, por uma questão de cordialidade. Obviamente que isto não é regra e prova disso é a grande quantidade de amizades que fiz ao longo da minha carreira como Freelancer. É certo que na maioria dos casos o primeiro contacto foi deveras cauteloso, mas assim que tiver oportunidade deixei o cliente muito à vontade para conversar comigo sem qualquer tipo de receios. Uma das grandes desvantagens das mulheres é a falsa ideia que os clientes têm delas, isto é, quando iniciam uma conversa, tentam sempre tirar o máximo de informação possível para assim começarem a confiar, ou não, na sua pessoa e no seu trabalho. Falando um pouco de situações reais que já passei, facilmente se mostra o quanto os homens são desconfiados quando encontram uma mulher numa área que normalmente é dominada por eles. Por exemplo, vários contactos que recebi no último ano, principalmente na área de Design, começaram o seu contacto por “Consegue fazer isto?”. Vamos agora analisar a situação, a menos que seja alo realmente muito diferente do habitual ou que a Freelancer não tenha inserido na sua lista de serviços, parece-me uma pergunta muito desconfiada e desnecessária. Se uma Freelancer trabalha em Design Corporativo, tem o serviço de logótipos na sua lista e até exemplares no seu portfólio, porque razão o cliente sente necessidade de perguntar se somos capazes de elaborar um logótipo? Na minha opinião, total desconfiança e descrédito das qualidades da Freelancer.

A organização e as Mulheres

Uma das grandes vantagens da Mulher no mundo Freelancer é a sua extrema organização, já que, por norma, as mulheres levam a gestão de tempo, espaço e prioridades muito a sério. Todos sabem que o Freelancer é caracterizado por não existir horários que levam a pessoa a trabalhar X horas por dia. Isto nem sempre é positico, pois se um dia se trabalhar 2horas por excesso de cansaço, noutros tenta-se compensar com 14horas para terminar os projectos a tempo. É aí que a organização de mulher começa a surgir e a ter o efeito desejado. A mulher consegue começar o seu dia em modo de gestão, isto é, organiza todo o seu dia de forma a que nada fique para trás, com a desvantagem que normalmente aliado ao trabalho há sempre as tarefas diárias de um Freelancer independente. Não que s homens não tenham essa capacidade e necessidade de o fazer, mas geralmente ao final de uma semana desistem e voltam à “rotina” inconstante, típica de um Freelancer. Em jeito prático, o meu dia começa sempre por uma análise detalhada do estado dos projectos e trabalhos que tenho em mão. Depois de uma breve passagem pelo e-mail de trabalho para ver os contactos de clientes, faço toda a organização do dia, dividindo-o por prioridades e nunca avançando para o próximo sem concluir o actual. Claro que isto não tem nada que saber, é o que vocês estão a pensar. Mas agora façam o seguinte teste: experimentem conciliar, durante apenas um mês, o meu trabalho Freelancer na área de Design (com cerca de 2/3 clientes por mês), o meu trabalho na área de Produção de Conteúdo (com mais de 60 artigos por mês), com os meus projectos pessoais (actualmente, apenas o Ser Freelancer merece o destaque) e os projectos para quem escrevo (o Web Milionário e o Sítio da Mulher, por exemplo), com um parti-time de algumas horas semanais num café, umas horas por semana para dar explicações de Matemática e Física, vários concertos para fotografar e escrever ao longo do mês (com toda a pós produção necessária que as fotografias precisam antes de serem entregues à agência), juntando a tudo isto toda a gestão de uma casa e o que isso implica, não esquecendo claro o tempo para a família, namorado e amigos (já que socializar é deveras importante!). Não sou uma super pessoa, nem quero parecer, simplesmente tento mostrar o que uma extrema organização diária consegue fazer na vida de um Freelancer multifacetado.

A minha experiência no mundo Freelancer

A melhor forma de vos mostrar como funciona o mundo feminino dentro do mundo Freelancer, nada melhor do que vos contar um pouquinho da minha experiência ao longo deste último ano como freelancer a tempo inteiro.

Boa receptividade da comunidade +T Já fazia parte da mesma há algum tempo, mas apenas em Set’10 comecei a participara activamente. Ao início, a entrada de um membro do sexo feminino, gera sempre um pequeno “burburinho”, mas a isso eu já estava habituada de outros fóruns.

No entanto, ao longo do tempo os membros foram depositando confiança em mim e no meu trabalho, tanto que hoje em dia, faço parte da equipa do +T e a maioria dos meus clientes vêm aqui da comunidade, por isso só posso agradecer toda a receptividade e confiança depositada em mim e no meu trabalho. As amizades Com o convívio diário no fórum e até fora dele, começaram a surgir boas amizades que não posso deixar de referir. Não vou enumerar os nomes, mas felizmente já são muitos aqueles membros da comunidade com quem mantenho óptimas relações de trabalho, parcerias e até amizades.

Sobrevivência

Não é novidade nenhuma que a sobrevivência é a palavra de ordem nos dias de hoje. Não só no Freelancing, mas a realidade no Freelancing é um pouco mais dura. Durante muito tempo, vivi em constante sobressalto, com a “corda ao pescoço”, principalmente porque não encarei a parte comercial da melhor forma. Ansiava por trabalho, que ele caísse do céu, mas rapidamente percebi que se não for o Freelancer a correr atrás dele, se não formos vendedores (de nós próprios) a cada minuto do dia, não vamos chegar a lado nenhum. Hoje em dia tenho uma carteira de clientes razoável (mesmo querendo sempre mais) que me garantiram outros e assim sucessivamente. Afirmação no mercado Não posso negar, no início de carreira foi extremamente complicado levar os clientes a adjudicarem trabalhos comigo. Mas depois de algum esforço, muita auto-promoção e uma espécie de marketing pessoal arcaico, fui conseguindo vingar no mercado, levando muitos clientes a recorrerem a mim mais do que uma vez e até para vários tipos de serviços. Mais uma vez, a presença na equipa do Mais Tráfego e a colaboração com algumas referências nacionais (presentes ou não na comunidade) levou a que a minha afirmação no mercado fosse muito mais fácil e rápida. Objectivos alcançados Assim que alguém entra no mundo de trabalho, mais especificamente no mundo do trabalho freelancer, uma das primeiras acções é a enumeração, organização e exposição dos objectivos profissionais e pessoais. Objectivos esses que devem ser organizados por prioridades, ou seja, o Freelancer deve ter a capacidade de perceber quais são os objectivos a curto, médio e longo prazo, consoante as necessidades em termos pessoais e profissionais. A nível pessoal, os meus objectivos são definidos anualmente, isto é, no início de cada ano defino quais são os objectivos a cumprir para o corrente ano e quais os que gostaria de cumprir, sendo que os primeiros são “obrigatórios”. Por exemplo, no passado ano de 2010, o principal objectivo que defini para o meu trabalho na área de Produção de Conteúdo, foi a capacidade financeira de pagar todas as minhas despesas mensais através apenas do serviço de escrita para clientes externos. Felizmente, como referi no meu blog pessoal, o objectivo foi concretizado. No início deste ano, os meus objectivos foram um pouco mais concretos e todos eles tendo em vista o meu avanço tecnológico, isto é, a mudança e aquisição de novo material de trabalho, principalmente para a área de Design e Fotografia. Espero, sinceramente, no início do próximo ano escrever sobre objectivos cumpridos e ter, pelo menos, esses cumpridos.

Conclusão

A única conclusão a que podemos chegar é à dúvida, será ou não vantajoso ser mulher no mundo Freelancer? Na minha opinião, ainda existe muita desconfiança e até discriminação por parte do sexo masculino perante as mulheres freelancers, principalmente aquelas que exercem profissões que são mais comuns no sexo masculino. No meu caso, felizmente, já não sinto tanto isso pois já dei provas da qualidade do meu trabalho e da capacidade de entregar o mesmo nas datas previstas (uma situação muito importante na relação com os clientes!). Para mim, uma das principais razões pela qual é vantajoso ser mulher, é mesmo o facto da capacidade de gestão e organização natural que está presente na vida rotineira da mulher. Não que o sexo masculino não seja capaz de o fazer, simplesmente é muito mais natural nas mulheres do que na maioria dos homens. Em jeito de conclusão, não quero com esta minha opinião sobrevalorizar as mulheres, simplesmente quero dar a conhecer a minha experiência pessoal, num mundo que é muito mais natural ser popular no sexo masculino. Não era minha vontade gerar discussão ou polémica, mas se acharem que é um bom tema de discussão e troca de opiniões, sintam-se livres para o fazer e dar a conhecer a vossa opinião pessoal.

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Sobre o AnaMartelo

Freelancer nas áreas de Design, Fotografia e Blogging. Actualmente a trabalhar a Full-Time na área, com vários projectos online.

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36 Comentários

  1. Bom artigo Ana, na minha opinião este artigo está no top dos muitos que aqui foram colocados.

    Em relação ao que dizes:
    “Na minha opinião, ainda existe muita desconfiança e até discriminação por parte do sexo masculino perante as mulheres freelancers”

    - Isto ainda é normal neste Mundo, mas como eu penso isso vai mudar até um dia eles trabalharem com mulheres freelancers, onde vão ver que estão errados.

    Continuação do teu excelente trabalho.

    Cumps

    • Obrigado Pedro!
      Como disse, a minha opinião em relação à minha presença no Mundo mudou muito desde que cheguei a ele até aos dias de hoje, mas espero que mude muito mais.

      Obrigado mais uma vez!

  2. Muito bom artigo Ana. Esperamos por mais!

  3. Muito bem Ana! Gostei de ler até ao fim. Tens personalidade, vais longe!

  4. Sinceramente nunca pensei assim,que as mulheres não são capazes de fazerem certas coisas que os homens fazem.
    O mundo ainda é muito machista vais já foi pior!! rs
    Você já não precisa provar para ninguém do que é capaz,já conquistou seu espaço,continue com seu ótimo trabalho!

    Abraço!

    • A verdade é que é preciso batalhar muito para vingar no mercado, seja homem ou mulher. Mas as mulheres um pouco mais por todas as desconfianças naturais..

      Obrigado!

  5. Gostei do artigo Ana. Tens o tempo todo ocupado.

    A descriminação existe em todo o lado e para todos os sexos, cada um tem de fazer por si neste capitulo.

    Força para ti

  6. Está muito bom o teu artigo, muito real e sóbrio. É verdade que ainda existe muita desconfiança em relação ao sexo feminino, mas essa tendência está a acabar a passos largos. Será mesmo uma questão de tempo até a balança ficar equilibrada.

    No meu caso em particular o meu braço direito é uma mulher e todas a critica que recebo é sempre uma crítica construtiva, de forma a melhorar o meu trabalho. Por isso eu deposito muita confiança na mulher. A visão da mulher para além de ser diferente é uma opinião muito realista.

    Continua com o teu bom trabalho,
    Cumprimentos

    • Felizmente já existe poucos “homens” a pensar ao contrário, o que é muito bom. Mas ainda falta muito para sermos encaradas profissionais, iguais ou melhores que muitos homens.
      Mas o primeiro passo começa com atitudes assim!
      Parabéns pela atitude e obrigado pelo apoio!

  7. Parabéns Ana, excelente artigo! :)

  8. Bom dia

    Muito legal o artigo Ana! parabéns.
    Eu por experiência própria sei bem o que é isso não é fácil, o que diz no artigo é verdade mas também não é impossível encarar o mercado sendo mulher.
    Acontece que comparado a um homem o caminho feminino é mais cobrado intelectualmente, estéticamente, profissionalmente resumindo o “caminho das pedras” se torna mais longo e as vezes não tão prazeroso.
    Concordo com a Ana que hoje está melhor que anos atrás, pois a mulher já tem seu espaço (mesmo que as cobranças sejam maiores) mas acredito que dá pra melhorar cada vez mais.

    Abs

  9. Li o teu artigo com muita atenção, concordo em muitos aspectos nos que dizes.

    Como freelancer recém chegada ao mercado, felizmente não senti descriminação por ser mulher, apenas por ainda ter muito que lutar para que confiem no meu trabalho.

    Mas com o tempo isso lá chegará.

    Parabéns!

  10. Mais um ótimo artigo na linha que tens vindo a fazer. Continua, bem mereces.

  11. Serei o único a vir aqui fazer um comentário?
    Então para isso mais vale fazer um despropositado!

    Bom, o facto de termos negócios com uma mulher para nós homens significa que podemos eventualmente ter uma parceria nocturna free of charge.

    Lol, agora a sério…
    Eu quando faço negócios com a Internet – em termos de pessoas da Internet claro – faço-os a nível profissional. Não quero saber o sexo da pessoa. Até porque últimamente são todos ‘Anonymous’. :)
    Agora é certo que as pessoas chamam à atenção. Se chamarem à atenção é porque têm algo para oferecer, algum potencial.
    O exemplo da Ana, conheci-a desde o tempo do IRC há vários anos e meti na minha cabeça uma “catch phrase” que não vale a pena dizer. Depois vi-a nos sites passado uns tempos, vi que era a mesma pessoa, e fui acompanhando. Só não a “contrato” porque ela fez o mesmo que eu, mas eu só produzo para mim. Mas acompanho, e linko / participo quando posso.

    Acho que não deve haver diferenças.
    E garanto-te, há algumas mulheres que não são organizadas. :)

    Rui

  12. Não acredito que ser mais ou menos organizado tenha alguma relação com ser do genero masculino ou feminino. Conheço programadores hyperorganizados e são homens e programadoras bagunçadérrimas e são mulheres ! Creio que o problema se fundamenta mais em que homens tendem a ter uma visão lógica e direta ( quase puramente cartesiana ) e algumas mulheres ( maybe ) tendem a usar uma certa emoção na produção ; também conheço algumas mulheres que usam uma lógica tão cruel e direta que fariam inveja ao Dr. Spock.

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