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Sobreviver – A realidade dos Freelancers


Depois de ter colocado aqui o meu primeiro post, sobre as Vantagens e Desvantagens da Mulher no Freelancer, tendo tido um excelente feedback por parte de toda a comunidade, acabei por colocar uma referência ao artigo no meu blog pessoal. Através desse post, recebi um comentário que alertou para o facto de que o ponto “Sobrevivência” precisava de um pouco mais de atenção e de ser um bom tema para um artigo mais elaborado.

O presente artigo, saliento, vai dar a minha opinião, formulada ao longo deste último ano como Freelancer, por isso nem sempre pode corresponder à vossa opinião, sendo assim uma excelente forma de desenvolver uma agradável discussão.

A importância da 1º imagem

Assim que o Freelancer entra no mercado, a procura pelo primeiro cliente é marcada pela imagem que este transmite para o mercado de trabalho e consequentes futuros clientes.
Será este primeiro cliente a chave para a chegada de novos, principalmente porque será ele a deixar o primeiro testemunho sobre si e sobre o seu trabalho. A partir desse testemunho, os próximos clientes ou não, confiança na pessoa e no seu trabalho para garantir serviços para os seus projectos ou empresas.

Por tudo isto, é  importante que este cliente aposte em si logo na primeira imagem que tem. A forma como encara o trabalho, a própria responsabilidade e disponibilidade para com o cliente, são factores bastante importantes na escolha do melhor Freelancer para o trabalho.
É muito importante que encare todos os trabalhos da mesma forma, seja o cliente uma enorme multinacional ou simplesmente o “talho da aldeia”. O cliente merece ser servido com a mesma dignidade e o trabalho deve seguir as mesmas linhas, até porque geralmente será mais o cliente do “talho da aldeia” a voltar do que a multinacional, em termos genéricos, obviamente.

O tempo de resposta é outro dos pontos chave para manter uma boa imagem perante os clientes. Deixar um cliente à espera durante muito tempo, pode-lhe custar a adjudicação do serviço.
Na generalidade, principalmente no mercado nacional, tudo é deixado para a última hora, isto e, pensam no que precisam e procuram soluções, mas após o primeiro contacto esperam alguma urgência na resposta. Até porque precisam sempre dos serviços prontos “para ontem”! O ideal mesmo é não deixar um cliente à espera mais do que 24h, claro que há situações inesperadas em que é impossível responder nesse tempo, mas no caso de saber com antecedência que irá demorar mais na resposta (ausência do país, falta de acesso à Internet, etc.) aconselho a colocar uma mensagem de auto-resposta no e-mail para informar o cliente que não verá o seu e-mail respondido no tempo desejado.

Manter a qualidade é factor chave

Um Freelancer que se preze tem que manter a boa qualidade, ou mesmo aumentá-la, para conseguir vingar no mercado.
O trabalho começa a aumentar num momento em que os testemunhos de clientes passados chegam a público, garantindo que o seu trabalho é bom e recomenda-se. No entanto, de que adianta um cliente voltar a pedir um serviço se da próxima vez a qualidade não é a mesma e o cliente não fica satisfeito?

Qualquer profissional tem como “obrigação” uma constante formação e evolução no seu trabalho, só assim vai conseguir garantir um bom serviço e uma qualidade acima da média para chamar sempre mais clientes. É importante, principalmente nas áreas da multimédia, estar sempre atento às novidades, às tendências e até ao que os clientes procuram actualmente.
Até porque o mesmo cliente hoje pede um serviço de determinada forma, mas daqui a uns meses pode querer algo completamente diferente, seguindo a moda e tendência actual, e é da competência do Freelancer saber chegar ao que ele precisa.

Alargar horizontes

A inovação e constante evolução é uma das maiores preocupações dos Freelancers. Tal como referido anteriormente, manter ou aumentar a qualidade dos seus serviços é imprescindível para manter ou aumentar os seus clientes (passo a redundância), mas a inovação é outro factor que faz o sucesso e sobrevivência dos Freelancers.

Quando se fala em alargar horizontes no mundo Freelancer, fala-se principalmente na inovação de serviços ou mesmo de alargar o seu mercado.

Por exemplo, no caso dos Designers de Comunicação, uma boa forma de alargar horizontes é fazer formaçao ou adquirir conhecimento suficiente para alargar os seus serviços para outras áreas do Design, como Design de Interiores, Equipamentos, Embalagens, etc.

Pode ainda aumentar o seu horizonte de clientes, alargando o seu mercado local para a Internet, e em alguns casos crescer para projectos internacionais, tendo assim maior crescimento profissional já que estará a trabalhar para o mundo e não limitado para a sua zona geográfica, mas no dia de hoje isto já não devia ser falado.

O sistema de Pagamento

Para os Freelancers, o pagamento ou mesmo a falta dele, é uma das maiores preocupações diárias, principalmente porque no início de actividade qualquer cêntimo é importante.

Para evitar problemas piores o mais importante é ter todo o sistema de pagamento muito bem definido, mostrando-o sempre num documento (com o mesmo detalhe) de um contracto, onde vai expor não só todos os serviços prestados e o valor dos mesmo, referindo sempre qual a forma de pagamento. No entanto, para que esse documento tenha qualquer valor é necessário que ambas as partes o assinem, garantindo assim um compromisso.

O problema dos pagamentos começa quando o trabalho é feito em regime tele-trabalho, ou seja, usando apenas a Internet como meio de comunicação, onde estes mesmos contratos não têm o mesmo valor, a não ser que os envie assinados por correio para o cliente e este faça o mesmo, mas nem sempre os clientes estão dispostos a ter tanto trabalho.

Nestas situações, o melhor mesmo é modificar um pouco o sistema de pagamentos, tornando-os faseados (50% na adjudicação e 50% na entrega), garantindo assim um compromisso mútuo entre clientes e Freelancers. Em casos específicos, de projectos de maior dimensão em que existem várias entregas, pode fasear ainda mais e dividir o pagamento por percentagens em cada entrega que for feita.

A necessidade da rede de contactos

Um Freelancer sem uma boa rede de contactos é como um bolo rei sem frutas cristalizadas, isto é, existe mas não é a mesma coisa.
Uma boa rede de contactos é uma excelente forma de melhorar o seu trabalho e até aumentar o seu número de clientes.

É importante que um Freelancer mantenha contacto com outros Freelancers, seja da mesma área de trabalho ou de áreas complementares. Já aqui falei da importância de inovar e alargar os seus serviços, podendo assim aumentar o leque de possíveis clientes.

Se tiver uma boa rede de contactos, desde que estes sejam honestos e sérios, pode fazer uma troca de clientes bastante benéfica para os dois, até porque quantas vezes já não chegou até si um cliente com um pedido de serviço fora da sua área? Mantendo o contacto com Freelancers de áreas diferentes à sua pode encaminhar esses clientes para outro profissional e certamente que quando acontecer o inverso ele certamente se lembrará de si (assim esperamos!).

No caso dos contactos com profissionais da mesma área que a sua, é uma boa forma de trocar ideias, recursos e até conhecimento. Hoje em dia há muito receio de “abrir o jogo” para não perder o negócio, mas bem trabalhado o mercado dá para todos, desde que haja ética no trabalho. Por isso, a troca de conhecimento e ideias só vai alargar o profissionalismo de cada um.

Negócio na vida vs Vida no negócio

É tendência natural dos Freelancers de aceitarem todos os trabalhos que surjam, principalmente no início de carreira, onde cada serviço adjudicado significa uma vitória e um passo para o sucesso.

No entanto, esta prática pode ser bastante prejudicial para o Freelancer, não só a nível pessoal como também profissional.
A nível pessoal, ao aceitar todos os tipos de trabalho vai levar a mais horas de trabalho, ou seja, menos horas para descansar e para socializar. A nível profissional, no caso de ser público (através de testemunhos e/ou portfólio) mostra o seu “desespero” por conseguir trabalho o que pode mostrar, alguma falta de consideração e respeito pelo seu próprio trabalho.

Os Freelancers, assim como todos os outros profissionais, necessitam do seu descanso e até de algum contacto com o exterior (família e amigos) para que a sua vida corra da melhor forma. Trabalhar 14 horas por dia não é aconselhável, nem para a sua saúde (precisa de pausas e de dormir), nem para o seu trabalho (que é afectado na qualidade devido ao seu cansaço). Por isso, o melhor mesmo é encarar o seu trabalho como parte integrante da sua vida normal e não a sua vida como parte do seu trabalho.

Organize-se! Delineie as horas de trabalho diárias, as pausas e horas de descanso e deixe sempre tempo para alguns momentos de socialização, nem que seja 1 ou 2 vezes por semana, faz sempre bem!

Conclusão

Como podem ver, ao contrário do que muitos pensam, trabalhar como Freelancer a tempo inteiro não é “pêra doce”. Há sacríficios a fazer em prol do trabalho, sempre com a devida moderação para que o sucesso seja alcançado a seu tempo.

Encarando a minha experiência como exemplo, é necessário ter paciência para esse sucesso ser alcançado, pois em alguns casos chega ao fim de 1 mês, para outros é necessário esperar 1 ano para que este fica solidificado. Saber esperar, batalhar e ser humilde são as três características mais importantes para a sobrevivência no mundo Freelancer.

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Sobre o AnaMartelo

Freelancer nas áreas de Design, Fotografia e Blogging. Actualmente a trabalhar a Full-Time na área, com vários projectos online.

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15 Comentários

  1. Bom artigo Ana, parabéns!

  2. Interessante e útil. Parabéns mais uma vez ;)

    • Também gostei bastante.

      Concordo plenamente com a importância que deste à imagem que cada um projecta do seu próprio trabalho. Pese embora não trabalhe em regime freelance sou consumidor e como tal não tenho qualquer dúvida que a imagem, conjugada claro com o preço pedido pelos bens ou serviços (na internet e fora dela), conta imenso.

      Uma vez mais parabéns Ana, excelente artigo!

  3. Bom artigo.
    Ao ler revejo nele muitas coisas que me foram acontecendo enquanto freelancer.
    Já passei pela fase do trabalhar 14 horas, e por tantas outras.
    Actualmente começa a dar frutos o meu trabalho enquanto freelancer, apesar de ainda manter outra profissão paralela, já considero o freelancer como a minha primeira profissão. Se bem que o que faço mais é freelancer para agências, estando neste momento com três fixas.

    Sigam os conselhos da Ana, são sempre bons acreditem.

  4. Freelancer não tem vida ! Freelancer tem trabalho, e pela minha experiência ( + de 10 anos nesta vida ) tem trabalhos para entregar amanhã à tarde sem falta. Faz parte, é meio que inerente a este ramo de atividade, é como motorista de autobus tem que vir com paciência tripla para trabalhar. Depois que os negócios crescem e tu abre uma Agência,,ai, ai,,, piora mais ainda e você passa a trabalhar também aos domingos. Só aconselho esta profissão para quem adora, daí o trabalho não se torna um fado mas realmente parte de sua vida.

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